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Município de Boa Vista
Praça do Centro Cívico Joaquim Nabuco
"BV"
Brasão de Boa Vista
Bandeira de Boa Vista
Brasão Bandeira
Hino
Aniversário
Fundação 9 de julho de 1890
Gentílico boa-vistense
Lema "Segurança, Desenvolvimento, Integração"
Prefeito(a) Iradilson Sampaio (PSB)
Localização
Localização de Boa Vista
Unidade federativa Roraima
Mesorregião Norte de Roraima IBGE/2008 [1]
Microrregião Boa Vista IBGE/2008 [1]
Região metropolitana {{{região_metropolitana}}}
Municípios limítrofes Amajari, Alto Alegre, Bonfim, Cantá, Mucajaí, Normandia, Pacaraima
Distância até a capital 4.275 quilômetros
Características geográficas
Área 5.687 km²
População 260.930 hab. est. IBGE/2008 [2]
Metro {{{população_metro}}} hab. est. IBGE/2008 [2]
Densidade 45,9 hab./km²
Altitude 85 metros
Clima tropical Awh
Fuso horário UTC-4
Indicadores
IDH 0,779 médio PNUD/2000 [3]
PIB R$ 2.265.603 mil IBGE/2005 [4]
PIB per capita R$ 9.355,00 IBGE/2005 [4]

Boa Vista é a capital e o município mais populoso do estado brasileiro de Roraima. Concentrando aproximadamente dois terços dos roraimenses, situa-se na margem direita do rio Branco. É a única capital brasileira localizada totalmente ao norte da linha do Equador.

Moderna, a cidade destaca-se entre as capitais da Amazônia pelo traçado urbano organizado de forma radial, planejado no período entre 1944 e 1946 pelo engenheiro civil Alexandre Dernusson, lembrando um leque, em alusão às ruas de Paris, na França. Foi construído no governo do capitão Ene Garcez, o primeiro governador do então Território Federal do Rio Branco. As principais avenidas do Centro da cidade convergem para a Praça do Centro Cívico Joaquim Nabuco, onde se concentram as sedes dos três poderes — Legislativo, Judiciário e Executivo. Além de pontos culturais (teatros e palácios), hotéis, bancos, correios e catedrais religiosas.

É uma cidade tipicamente administrativa e concentra todos os serviços estaduais.

História

O municipío de Boa Vista formou o primeiro povoamento caracteristicamente urbano da região do atual estado de Roraima.

O Forte São Joaquim (localizado a 32 quilômetros da capital), fundado em 1775, deu considerável importância à região.

Foi fundada no século XIX, em 1830, pelo capitão Inácio Lopes de Magalhães. Originou-se de uma das inúmeras fazendas de gado situadas ao longo dos rios que compõem a bacia do rio Branco pertencente à então província "São José do Rio Negro", atual Amazonas.

Vista aérea da Boa Vista de 1924, pelo explorador Hamilton Rice.
Boa Vista: Avenida Jaime Brasil de 1924.

Em 1858 a povoação foi elevada a categoria paroquial com a denominação de freguesia de Nossa Senhora do Carmo do Rio Branco e em 9 de julho de 1890 a freguesia foi elevada à categoria de vila, sede de um novo município denominado Boa Vista do Rio Branco (criado pelo então governador amazonense, Augusto Villeroy), que passou a presenciar um maior e mais veloz crescimento graças à construção da tão desejada BR-174 ligando-o a Manaus, a capital provincial (embora o seu crescimento exponencial só tenha se iniciado em meados de 1970). A área municipal da vila de Boa Vista foi desmembrada do antigo município amazonense de Moura.

Capital

Em plena Segunda Guerra Mundial, em 1943, tornou-se a capital do recém-criado Território Federal do Rio Branco e experimentou seu surto de crescimento devido ao garimpo. O então Território Federal do Rio Branco foi elevado à categoria de estado e tempos depois passou a se chamar Território Federal de Roraima e, ainda depois, "Roraima". Mais tarde o garimpo com máquinas foi proibido (por demasiados danos à natureza), o que prejudicou a economia estadual e municipal.

Emancipações

Quando a cidade pertencia ao Amazonas, o território do município ocupava parte da área correspondente ao atual estado de Roraima, sendo a parte sul do Estado integrante do município de Moura, extinto em 1943. Posteriormente foi dividida em dois municípios, com o surgimento de Catrimani (que nunca fora instalado). Outros municípios foram sendo emancipados e Boa Vista passou a ocupar seu atual território.

Crescimento demográfico

No início, os indígenas eram os únicos habitantes. Desde meados de 1970, no entanto, Boa Vista tem uma das taxas de crescimento mais altas entre as capitais brasileiras, aproximadamente 3% por ano. Se antes o garimpo foi importante, atualmente o que mais atrai imigrantes são os empregos gerados por concursos públicos, por parte dos brasileiros, e, comércio em geral por parte de guianenses, venezuelanos, bolivianos, etc.

Para caráter comparatório, em 1950 Boa Vista contava com aproximadamente 5.200 habitantes. Esse número foi multiplicado por 46,6 em apenas 55 anos, passando, em 2005 a ter cerca de 242 mil habitantes.

Arquitetura e urbanismo

Boa Vista ao entardecer.
Estilo neoclássico

As áreas mais antigas de Boa Vista (localizadas em especial às margens do rio Branco, no baixo Centro) possuem uma arquitetura característica do estilo do fim do século XIX e início do século XX: o neoclássico, inspirado nas formas romanas e gregas da antigüidade. Um exemplo de obra pertencente a este estilo é a Prelazia. Foi construída em 1907 e funcionou como um hospital assistido por monges beneditinos, entre 1924 e 1944. Na década de 1950 (em 1950) tornou-se a sede do governo estadual.

Urbanismo Boa Vista é uma cidade planejada, com o Centro disposto em formato radial, na tradição do urbanismo francês, com ruas voltadas para a grande praça monumental central, centro do poder. O planejamento da cidade de Boa Vista se deu em função da estratégia governamental de ocupação da Amazônia em 1943. Nesta ocasião, o autor do plano, o engenheiro militar Darcy Aleixo Deregusson, formado no Rio de Janeiro, se interessava pelas questões urbanísticas e já tinha participado na confecção do Plano Diretor de Volta Redonda (RJ), onde tomou contato com o pensamento urbanístico de Atílio Correia Lima. Atílio fora o responsável pelo projeto de Goiânia, que se mostrou a grande fonte para Deregusson. Cotejar a planta do centro das duas cidades deixa clara a inspiração.

O planejamento de Boa Vista mobilizou uma vasta equipe dos mais conceituados especialistas em urbanismo, esgotos sanitários, esgotos pluviais, abastecimento d'água e energia elétrica com sua rede distribuidora. Elaborado no período de 1944 a 1946, foi antecedido de levantamento topográfico plani-altimétrico e cadastral da vila e arredores, numa extensão de 20 km², com a confecção de planta na escala de 1:1000, recenseamento geral da população e estudos sócio-econômicos necessários à sua execução.

É interessante notar que em um projeto feito na década de 1940, quando os automóveis ainda não eram um problema urbano, e em Boa Vista poucos existiam, o projeto da cidade já contava com ruas extremamente largas. As dimensões, aparentemente exageradas para a época, se mostraram de acordo com o progresso dos anos seguintes, fazendo com que Boa Vista conservasse a qualidade urbana ao longo dos anos.

Política

Vista do Palácio Senador Hélio Campos, a principal estrutura da Praça do Centro Cívico.
Ver artigo principal: Governo de Boa Vista

O primeiro prefeito do município foi João Capistrano da Silva Mota (mais conhecido como Coronel Mota). Os primeiros vereadores foram José Francisco Coelho e José Gonzaga de Sousa Júnior.

Ottomar Pinto foi prefeito de 1996 a 2000. No período 2001-2004, a prefeitura foi ocupada por Maria Teresa Sáenz Surita Jucá, do PSDB, eleita com 44,37% dos 81.352 votos válidos, vencendo Ottomar Pinto (PTB), que obteve 29,96%. Foi reeleita, em 2004, pelo PPS.

Em 31 de março de 2006, Teresa Jucá renuncia ao seu mandato para se candidatar ao Senado. Seu vice, Iradilson Sampaio, assume. O mesmo foi reeleito nas eleições de 5 de outubro de 2008 com 54% dos votos do eleitorado local, com isso administrará por mais quatro anos a capital Boa Vista.

Geografia

Boa Vista situa-se na porção centro-oriental do estado, na microrregião de Boa Vista, mesorregião do Norte de Roraima.

Com uma área de 5.117,9 km² (que corresponde à 2,54% do estado), limita-se com Pacaraima a norte, Normandia a nordeste, Bonfim a leste, Cantá a sudeste, Mucajaí a sudoeste, Alto Alegre a oeste e Amajari a noroeste. São áreas índigenas 1.447,35 Km² do município (o que corresponde à 25,33% do território total).

Clima

Ocorrem apenas duas estações bem definidas: o inverno e o verão; o outono e a primavera praticamente não são percebidos. Boa Vista se encontra na Zona Climática Tropical; seu clima é tropical úmido, Aw na classificação do clima de Köppen.

Sua precipitação média anual é de 1.750 mm.

A temperatura varia de 21°C a 36,6°C, sendo as mais baixas em janeiro e mais altas em julho, dada sua localização no hemisfério norte. Sua temperatura média é de cerca de 27°C anuais, sendo de 75% sua média da umidade relativa do ar.

Relevo

É um município plano quase em sua totalidade, o que favorece seu status de organização. Apenas 10% de suas terras possuem uma pequena inclinação (inclusas as áreas de planície fluvial inundável).

Os principais solos encontrados em Boa Vista são:

Hidrografia

Os principais rios que compõem sua hidrografia são o Branco, Tacutu, Uraricoera, Amajari e Cauamé (que originou o nome de um bairro).

A bacia do rio Branco possui um regime hidrográfico (possui um período de cheia e outro de seca). No de cheia, dos meses de março a setembro, áreas situadas próximas à margem e à mata ciliar costumam ser alagadas (em especial a favela Beiral); no período de seca, as águas baixam, diminuindo a navegabilidade do baixo rio Branco.